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Monitoramento da Biota Aquática
  • Monitoramento da Biota Aquática

    O monitoramento da biota aquática no REBIMAR é fundamentado nos objetivos gerais do projeto, com metodologias empregadas para a avaliação do efeito dos recifes artificiais no ecossistema marinho.

     

    São utilizadas metodologias de coleta de dados biológicos e de observação direta, por meio de censo visual e geração de imagens subaquáticas destas estruturas, bem como o levantamento de dados de parâmetros físicos e químicos, de forma a avaliar o efeito destas variáveis nas escalas espaciais e temporais.

     

    Assim, para avaliar as possíveis mudanças no ecossistema são monitorados os seguintes compartimentos marinhos: Bentos, Nécton, Plâncton e Hidrografia.

     

     

    Confira imagens da equipe do Programa REBIMAR durante uma saída a campo do Monitoramento da Biota Aquática:

     

     


    Bentos Marinho

    São bênticas ou bentônicas todas as espécies que vivem em relação direta com o fundo, quer vivam fixos, quer sejam livres. O substrato constitui o suporte dos povoamentos bentônicos, podendo ser consolidado “natural” (rochas, raízes de plantas, recifes de corais, etc.) “artificial” (piers, recifes artificiais, etc.) ou inconsolidado “móvel” (arenoso, detrítico, etc.). Praticamente todos os filos possuem representantes no bentos. Entretanto, os invertebrados são incontestavelmente os organismos dominantes no ambiente bênticos.

     

    Bentos inconsolidado

    O conhecimento do bentos costeiro e de plataforma é de grande importância em estudos ambientais, pois muitas espécies bênticas têm importância econômica como fonte de alimentos, como é o caso dos crustáceos (camarões, caranguejos), moluscos (ostras, polvos, mexilhões) e muitas algas que são utilizadas nas indústrias de cosméticos e produtos alimentícios. Além disso, constituem o principal item alimentar da dieta de peixes de valor comercial.

     

    A instalação de recifes artificiais pode influenciar a fauna associado ao fundo arenoso em virtude da criação de um novo ecossistema. Desta forma, os organismos que passarão a colonizar este novo habitat artificial vão interagir com a fauna preexistente. Outro efeito esperado á a exclusão de áreas para a pesca de arrasto direcionada as espécies de camarões, que tem alto impacto na fauna bêntica.

     

    Para avaliar os efeitos da criação de um novo ecossistema e da exclusão do arrasto sobre a fauna de invertebrados bentônicos o Programa REBIMAR realiza coletas trimestrais de sedimento e material biológico em pontos fixos antes e depois da instalação dos recifes artificiais.

     

    Bentos consolidado

    A fauna incrustante é muito importante na estruturação da comunidade marinha, sendo um dos principais elos da teia trófica, servindo de alimento para peixes e outros invertebrados. Portanto o sucesso na colonização de recifes artificiais depende do desenvolvimento da comunidade incrustante. Dentre os organismos incrustantes podemos citar as esponjas do mar, bivalves, cracas, briozoários, corais, ascídias, entre outros.

     

    O monitoramento desses organismos nos recifes artificiais é essencial para delinear o efeito dos mesmos sobre a comunidade marinha. Para tanto serão utilizadas três metodologias. Com a periodicidade de mensal serão feitos foto-quadrats, ou seja, fotos dos blocos de recife de uma área total conhecida para estimar a porcentagem de cobertura dos organismos. Para facilitar a identificação das espécies também será feita a raspagem e coleta para análise em laboratório. E por fim serão colocadas nos recifes placas feitas do mesmo material dos blocos de concreto. Durante dois anos, a cada três meses algumas placas serão retiradas e analisadas em laboratório, desta forma podemos monitorar a colonização nos recifes bem como o desenvolvimento e sucessão das espécies.

     

    Nécton

    O nécton inclui todos os animais capazes de se moverem independentemente das correntes oceânicas. É composto por uma grande variedade de animais (invertebrados e vertebrados). Esses animais possuem órgãos de locomoção eficientes que permitem deslocamentos consideráveis no meio aquoso, essa locomoção pode ser mantida por um longo período de tempo permitindo assim a perseguição de presas, fuga de inimigos naturais e também processos migratórios. Assim esses organismos não estão restritos a uma determinada área, ocupando toda a coluna de água.

     

    Está incluído no nécton a maioria dos peixes adultos, os moluscos cefalópodes como lulas e polvos, mamíferos marinhos, répteis marinhos e grandes crustáceos. Um grande número de aves são também incluídas no nécton. No entanto, os peixes fazem parte da fração mais importante do nécton.

     

    Os peixes, também conhecidos como ictiofauna, representam mais da metade das espécies de vertebrados vivos descritos. Exibem uma grande diversidade morfológica e ciclos de vida, de acordo com os habitats que ocupam. Atualmente já foram conhecidas aproximadamente 25.000 espécies de peixes, sendo que, 15.000 são marinhas.

     

    Por possuírem grande diversidade morfológica, os peixes podem ser encontrados nos mais diversos ambientes, tais como recifes de coral, estuários, lagoas costeiras, cânions submarinos, e em profundezas abissais. Podem ser divididos em três grupos taxonômicos:

    • Agnathas: Os mais primitivos que surgiram a 550 milhões de anos e hoje compreendem 84 espécies. Um exemplo de organismo desse grupo são as lampréias;
    • Chondrichthyes (peixes cartilaginosos): Também é um grupo primitivo que surgiu a cerca de 450 milhões de anos. Atualmente compreendem 850 espécies. Fazem parte desse grupo os tubarões e as raias.
    • Osteichthyes teleósteos: São os peixes mais evoluídos, surgiram a cerca de 200 milhões de anos atrás na época de surgimento dos mamíferos. É o grupo que possui o maior número de espécies, sendo muitas de grande importância econômica como as sardinhas, anchovetas, atuns, bacalhaus, merluzas etc.

     

    Para monitorar os possíveis efeitos dos recifes artificiais sobre a ictiofauna são realizadas coletas de acompanhamento do desembarque da pesca artesanal em pontos estratégicos do litoral paranaense. Também é realizado o monitoramento da ictiofauna nos recifes artificiais, por método não destrutivo, isto é, obtêm-se os dados sem a necessidade de coletar os espécimes. A metodologia adotada é a busca intensiva sobre as estruturas por meio do censo visual, no qual o mergulhador percorre as estruturas artificiais identificando ao menor nível taxonômico possível as espécies de peixes. Como complemento desta etodologia são realizadas imagens subaquáticas.

     

    Plâncton e hidrografia

    Organismos planctônicos são na maioria seres microscópicos. Devido ao tamanho reduzido são incapazes de vencer as forças físicas da água de forma que sua locomoção é à favor das correntes marinhas. No Plâncton são agrupados tanto animais, que compõem o zooplâncton, como vegetais chamados fitoplâncton. Juntos estes dois grandes grupos formam os primeiros elos da teia alimentar marinha.

     

    O fitoplâncton é representado por microalgas, seres clorofilados fotossintetizadores capazes de assimilar a matéria química em suspensão na água e transformar em compostos orgânicos por meio do seu metabolismo. As diatomáceas e dinoflagelados são os grupos de microalga dominante na costa do Paraná.

     

    O zooplâncton pode ser subdividido em dois outros subgrupos de acordo com o tempo do ciclo de vida que o organismo permanece no plâncton. No holoplâncton se agrupam os organismos que passam todo o ciclo de vida no plâncton. São principalmente representados por pequenos crustáceos como copépodos e eufasiáceos, além de quetogantos e cnidários como hidromedusas. O meroplâncton compreende organismos que passam somente a fase larval no plâncton. Durante a fase adulta, podem migrar para os outros compartimentos pelágicos (nécton ou bentos). Neste grupo estão inclusos larvas e ovos de diversos animais marinhos como peixes, caranguejos, camarões , e de moluscos.

     

    Os organismos planctônicos são direta (fitoplâncton) ou indiretamente (zooplâncton) afetados pelas mudanças hidrográficas que alteram as características físico-químicas da água. Os principais fatores físicos são: a transparência da água; que é usada como um indicador da quantidade de matéria orgânica e inorgânica em suspensão, que diretamente influencia a penetração da luz, favorecendo ou impedindo a fotossíntese ao longo da coluna de água. A temperatura, usada como indicativo da dinâmica das massas de água na costa. Os fatores químicos são: Salinidade, também um indicador das massas de água presentes na costa. A temperatura e a salinidade são importantes parâmetros oceanográficos responsáveis pela identificação das massas d´água que ocorrem no litoral, que são responsáveis pelo aporte de nutrientes no ecossistema marinho.

     

    Os nutrientes monitorados são nitrato, fosfato e silicato, pois são os principais compostos químicos limitantes para o crescimento de diatomáceas e dinoflagelados. Outro importante parâmetro é a clorofila, que é o pigmento fotossintético de microalgas, responsável pela avaliação da produção primária e da biomassa algal.

     

    Desta forma, a avaliação do plâncton e hidrografia fornece uma resposta da dinâmica da base da teia trófica na área de instalação dos recifes. É avaliada por perfis longitudinais e verticais de temperatura, salinidade, nutrientes, clorofila e fitoplâncton tomados em 4 pontos fixos da costa ao longo de um transecto perpendicular a praia. Para avaliar a disponibilidade da produção primária e de larval (meroplâncton) do sistema são feitos arrastos verticais e oblíquos com redes cônicas de fitoplâncton e zooplâncton.

     

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